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A psicoembriologia foi desenvolvida pelo professor e psicanalista Wilson Ribeiro (1934-2003), que iniciou suas pesquisas e a estruturação dessa abordagem na década de 1960. Seus estudos voltaram-se para a vida antes do nascimento, partindo da ideia de que os conflitos humanos têm origem ainda na fase intrauterina.

Autor de obras como A Vida Antes do Nascimento: Gestação Dirigida (1966) e As Células Têm Memórias e Contam Sua História (2000), Wilson Ribeiro também fundou a Academia de Psicanálise e Ciências Humanísticas (APCH).

O autor propôs uma ampliação da teoria freudiana do aparelho psíquico ao incluir a fase umbilical como etapa anterior às fases oral, anal, fálica, de latência e genital. Segundo suas pesquisas, essa seria a primeira fase da formação psicológica do ser humano, considerada a mais importante tanto do ponto de vista biológico quanto psicológico.

Wilson Ribeiro também investigou o conteúdo histórico e emocional presente nos núcleos celulares. Defendia que as células armazenam informações em sua memória e que esses registros podem se manifestar na forma de crenças limitantes, influenciando o sucesso, a prosperidade e o equilíbrio psíquico do indivíduo.

A psicoembriologia é uma abordagem que compreende a psique humana por meio de um sistema psicobioenergético e psicobiofísico.

Nessa perspectiva, cada feto é considerado um ser altamente individualizado, possuindo vida emocional própria. Ele experimenta prazer, desprazer, dor, tristeza, angústia e bem-estar, além de desenvolver uma intensa relação com sua mãe ou cuidador. Segundo essa abordagem, o bebê é capaz de perceber os estados emocionais maternos e os sentimentos direcionados a ele.

Com base nesses pressupostos, a psicoembriologia desenvolveu um método que auxilia os pais a estabelecerem vínculo com seus filhos desde a concepção, buscando favorecer um desenvolvimento psíquico mais saudável. O acompanhamento pode ocorrer durante a gestação e estender-se até os três anos de idade, inclusive em situações consideradas críticas.

De forma preventiva, a abordagem é aplicada à gestante por meio do método denominado Gestação Dirigida e, por extensão, ao embrião, que permanece intimamente ligado à mãe através do cordão umbilical.

O cordão umbilical é o principal veículo de alimentação do feto. Por ele circulam diariamente grandes volumes de sangue, responsáveis pelo transporte de nutrientes, hormônios e oxigênio essenciais ao desenvolvimento fetal.

A placenta, por sua vez, constitui um órgão no qual os vasos sanguíneos maternos e fetais permanecem intimamente relacionados sem se unirem diretamente. É por meio desse sistema que ocorre a troca dos elementos necessários à formação do esqueleto, do sistema nervoso e do cérebro do bebê.

Na prática clínica, a psicoembriologia utiliza técnicas sistêmicas voltadas para a construção do vínculo afetivo entre mãe e bebê, buscando amenizar possíveis traumas ao longo da gestação através da comunicação consciente.

Segundo essa concepção, o bebê ainda não possui discernimento de sua individualidade em relação à mãe, absorvendo e reproduzindo seus estados emocionais, sejam eles conscientes ou inconscientes. Dessa forma, emoções positivas e negativas podem ser registradas em seu sistema psíquico.

As emoções maternas seriam percebidas pelo bebê por meio das alterações hormonais produzidas pelo organismo, envolvendo substâncias como adrenalina e serotonina.

A psicoembriologia é considerada uma terapia preventiva. Nesse processo, o psicoembriólogo atua identificando e trabalhando heranças informativas negativas, também chamadas de crenças, que poderiam ser transmitidas pelos pais ao bebê. Além disso, orienta formas de comunicação verbal e não verbal entre mãe e filho durante a gestação.

É comum que gestantes experimentem medos, inseguranças relacionadas ao parto, preocupações com a saúde do bebê e desafios cotidianos. Nesses casos, a comunicação constante com o bebê é incentivada, permitindo contextualizar os acontecimentos e favorecer um ambiente emocional mais acolhedor.

A psicoembriologia atende mulheres em planejamento familiar, gestantes, pessoas que enfrentam dificuldades para engravidar e crianças de até três anos de idade.

Quando mulheres ou casais procuram atendimento devido a dificuldades para conceber ou conflitos relacionados à gestação, a abordagem compreende que possa existir o que denomina maternidade ou paternidade encouraçada. Esse conceito refere-se à presença de registros psíquicos associados à parentalidade que funcionariam como mecanismos inconscientes de proteção.

A palavra "couraça" remete à ideia de escudo. Nessa perspectiva, a maternidade pode estar simbolicamente associada a uma ameaça emocional, decorrente de experiências passadas registradas na história psíquica do indivíduo. Tais registros podem estar relacionados à própria gestação da pessoa ou, segundo a teoria, a memórias celulares transgeracionais.

Algumas dificuldades ou condições que surgem antes ou durante a gestação, como diabetes gestacional, hipertensão, alterações endometriais e problemas no colo do útero, são interpretadas pela abordagem como manifestações relacionadas ao campo emocional, para além dos aspectos exclusivamente orgânicos.

Esses conflitos permaneceriam armazenados no inconsciente, dificultando a vivência da maternidade e da paternidade de forma plena. Em alguns casos, mesmo quando não existe dificuldade física para engravidar, o processo pode ser compreendido como influenciado por conteúdos emocionais inconscientes.

O trabalho da psicoembriologia busca ampliar a aceitação da gestação, do parto e do bebê, favorecendo a dissolução desses mecanismos defensivos e fortalecendo uma vivência mais segura da maternidade e da paternidade.

O atendimento também contempla crianças de até três anos, auxiliando-as em importantes períodos de transição, como amamentação, desmame e desfralde. A vivência saudável dessas etapas é considerada fundamental para o desenvolvimento emocional posterior.

Observa-se que o desmame pode tornar-se mais difícil quando existe forte apego materno, pois representa um movimento de maior autonomia da criança. Processo semelhante ocorre durante o desfralde, quando a criança amplia o controle sobre o próprio corpo e desenvolve novas habilidades de independência.

A psicoembriologia também auxilia na adaptação escolar e no retorno da mãe ao trabalho, orientando os pais sobre o chamado banho de linguagem, recurso utilizado para preparar emocionalmente a criança para os momentos de separação.

Além disso, busca promover a conscientização dos conteúdos emocionais dos pais e contextualizar essas questões para toda a família. Segundo a abordagem, muitas dificuldades de separação estão mais relacionadas às angústias dos adultos do que às necessidades das próprias crianças.

Quando as mudanças de fase são conduzidas de maneira respeitosa, honesta e acolhedora, ampliam-se as possibilidades de desenvolvimento emocional saudável. Crianças criadas em ambientes seguros e respeitosos tendem a desenvolver maior segurança, responsabilidade e respeito nas relações futuras.

O psicoembriólogo não impõe suas crenças ou decisões às famílias, respeitando sempre a autonomia dos pais como principais responsáveis pela educação e pelos cuidados dos filhos.

Em síntese, a psicoembriologia fundamenta-se no cuidado por meio da linguagem, verbal e não verbal, buscando fortalecer o vínculo emocional entre pais e filhos desde a gestação e nos primeiros anos de vida.